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18 de Dezembro de 2017 - 

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Especialistas debatem violência contra a mulher após encenação de 'Por Elas' no CCMJ

Levantamento recente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostrou que 15 mulheres são assassinadas por dia no Brasil. Como forma de chamar a atenção da sociedade para essa triste realidade, na noite de quarta-feira, 6 de dezembro, Dia Nacional de Mobilização dos Homens pelo fim da Violência contra as Mulheres, sete atrizes e um ator apresentaram na Sala Multiuso do Museu da Justiça ­ Centro Cultural do Poder Judiciário (CCMJ) a leitura dramatizada da peça “Por Elas”, inspirada em fatos reais, relatando histórias vivenciadas por um grupo de mulheres que tem em comum a violência na sua vida amorosa. O espetáculo “Por Elas”, assinado pelo advogado e dramaturgo Ricardo Leite Lopes e pela diretora teatral Sílvia Monte,­ servidora do TJRJ e idealizadora do “Teatro na Justiça”, inaugurou a série de quatro sessões da leitura dramatizada da peça seguida de debates, abordando a questão da violência contra a mulher. Na quarta-feira, o desembargador do TJRJ, André Andrade mediou o debate com a psicóloga Cecília Soares, da UFRJ, e a delegada da Polícia Civil Sandra Ornellas. A discussão durou cerca de duas horas com intensa participação da plateia. O ciclo de debates prosseguiu nesta quinta-feira, dia 7, com a advogada Leila Linhares Barsted, diretora da ONG Cepia (Cidadania, Estudo, Pesquisa, Informação e Ação). Ela participou da redação do texto da Lei Maria da Penha e é representante do Brasil no mecanismo de acompanhamento e implementação da Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a violência, da OEA. As duas sessões de debates acontecem nos dias 13 e 14 de dezembro, também às 19h. A entrada é franca, com distribuição de senhas às 18h30min. Agradecendo o convite para mediar o debate, o desembargador André Andrade ressaltou que, apesar de estudar por vários anos o tema, nunca terá condições de abordar a questão da violência contra a mulher com a sensibilidade de quem enfrenta a questão. “Ainda que venha estudando esse tema da violência contra a mulher, nunca vou saber como uma mulher sente esse problema. Penso que deve ser difícil ser uma mulher em um mundo machista. Nossa sociedade ainda tem muito o que avançar. Fique muito impressionado. A peça me impactou demais. Por isso estou aqui mais para aprender, tentando entender mais esse problema seríssimo enfrentado pela mulher, que envolve questões como feminicídio, machismo”, afirmou o desembargador. A psicóloga Cecília Soares, após assistir à leitura dramatizada, confessou ter ficado impressionada com o espetáculo, mesmo estudando a questão da violência das mulheres há mais de 30 anos. Ela revelou que agora está pesquisando a questão sob o enfoque do homem. “Venho estudando e trabalhando há mais de 30 anos , ouvindo os relatos das mulheres, desde o primeiro serviço criado no Rio de Janeiro em apoio às delegacias de mulheres. Agora estou estudando os homens. Nessa caminhada me recordo que no início as delegacias eram a única saída para as mulheres vítimas de agressão. Essa peça, realmente, é impactante. Porque 30 anos depois, mesmo com a Lei Maria da Penha, com o crescimento da rede, com os serviços multidisciplinares, com as casas abrigo, vejo nessa peça as mesmas falas”. Delegada propõe curso de sensibilização aos profissionais que lidam com as vítimas Cecília recordou um capítulo de sua dissertação de mestrado em que aborda a dificuldade das mulheres em romper a relação mesmo sofrendo violência. “Me lembro que destaquei um capítulo em minha dissertação de mestrado com o título “Ruim com ele; pior sem ele?”. Essa é uma das questões fundamentais. Queria ver as mulheres que conseguiram sair do ciclo de violência. É uma pena que tantas mulheres não consigam sair e o fim seja, infelizmente, serem assassinadas”, lamentou. A delegada da Polícia Civil, Sandra Ornellas, em sua intervenção, expressou sua tristeza em relação aos repetidos relatos de violência contra as mulheres, após 18 anos de atuação. Ela propôs a realização de cursos de sensibilização para os profissionais que atuam no atendimento às mulheres. “Há 18 anos que ouço essas histórias. É muito doloroso ouvir essas pessoas e, muitas vezes, atuar na investigação dos homicídios dessas vítimas e saber que essas histórias são reiteradas a todo momento. Essa peça deve servir de base para cursos para profissionais do Direito, dos que atuam no atendimento dessas mulheres. Diferentemente daqueles que pregam a necessidade de mais cursos de capacitação, eu acredito que devam ser promovidos cursos de sensibilização para os policiais, para que possam ser capazes de entender o problema e agir de forma a ir ao encontro às necessidades da vítima”, propôs a delegada. A defensora pública Letícia Furtado, que assistia ao debate, ressaltou a importância de a mulher perceber qualquer tipo de violência a que está sendo submetida antes mesmo de ela atingir o nível da violência física. “A pior violência é a invisível, que é a psicológica, que vai destruindo sua autoestima. No dia que a mulher resolve registrar a ocorrência de uma violência física, já exaurida, ela acaba percebendo que já sofreu todo tipo de violência”. O psicólogo Alan Bronz, que trabalha desde 1999 com homens envolvidos em situação de violência, conclamou os homens a denunciarem as violências de outros homens contra mulheres. “Os homens não devem se calar em relação à violência dos seus iguais. Existe um silêncio quase cúmplice”, disse. Serventuário do TJRJ, Luis Valente avaliou que a violência contra as mulheres se inserem em um mundo tomado pela violência. “Nossa sociedade é extremamente violenta e temos que denunciar e combater isso”, afirmou. Ao final do debate, a diretora da peça “Por Elas “, Silvia Monte, que é também diretora do CCMJ, destacou o ineditismo de se produzir um espetáculo abordando a questão da violência contra a mulher dentro de um Tribunal: “Talvez nós sejamos o único Tribunal no Brasil que esteja realizando um trabalho na área de cultura sobre a violência contra a mulher. Por isso, todos têm que saber, no Brasil inteiro, que isso está sendo feito aqui no Rio de Janeiro”, afirmou Silvia, acrescentando que “o projeto Teatro na Justiça não começou agora”: “O projeto existe desde 1999. Nós também sofremos muito preconceito. Muitos da classe artística de fora não dão valor ao trabalho realizado aqui no CCMJ. E muitas pessoas também acham que dentro da instituição não é para fazer teatro. É preciso que as pessoas tenham consciência sobre a importância de fazer teatro dentro da Justiça, na casa da Justiça, com pessoas ligadas à Justiça”, afirmou Silvia. Por Elas A peça “Por Elas” ­ nasceu de pesquisas realizadas pelos autores em fontes persas: casos encontrados nos processos judiciais, notícias veiculadas nas mídias, encontros com profissionais das áreas da Saúde e do Direito que trabalham com mulheres vítimas de violência doméstica, e de relatos de mulheres – desconhecidas, colegas, amigas e familiares. Após a pesquisa, os autores optaram por retratar o “ciclo da violência” e, mais especificamente, o feminicídio. “POR ELAS” aborda a realidade de mulheres brasileiras que sofrem violência na relação com seus parceiros e as dificuldades psíquicas, jurídicas, familiares, sociais e culturais para conseguirem romper com o “ciclo da violência”. O elenco, de sete atrizes e um ator – que interpreta todos os papéis masculinos – é composto por Carla Guidacci, Deborah Rocha, Dulce Penna, Gisela Castro, Letícia Vianna, Renata Guida, Rosana Prazeres e Lucas Gouveia. A direção é de Silvia Monte, a trilha original é da pianista e compositora Maíra Freitas, o figurino é assinado por Luci Vilanova e a iluminação é de Ana Luzia de Simoni. Serviço "POR ELAS" (leitura dramatizada) de Sílvia Monte (texto e direção) e Ricardo Leite Lopes (texto). Com Carla Guidacci, Deborah Rocha, Dulce Penna, Gisela Castro, Letícia Vianna, Renata Guida, Rosana Prazeres e Lucas Gouveia. De 24 de novembro a 16 de dezembro, de quarta a sábado, às 19h. Sala Multiuso / CCMJ, Antigo Palácio da Justiça (APJ­Rio), Rua Dom Manuel 29, Térreo, Centro. Grátis, distribuição de senhas às 18h30m. 14 anos. As inscrições para agendamento de grupos de até 20 pessoas podem ser feitas pelo telefone 3133­3368 ou pelo e­mail ­ ccmj.educativo@tjrj.jus.br. Fotos de Brenda Pontes/ CCMJ JM/ JAB
07/12/2017 (00:00)
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