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Sentença em verso de juiz de Senhor do Bonfim será destaque no Fantástico

Uma decisão do juiz Teomar Almeida de Oliveira, da 1ª Vara Criminal da comarca de Senhor do Bonfim, será tema de matéria do programa Fantástico, da Rede Globo. A sentença em versos rimados, sobre quem era o verdadeiro dono de uma sanfona, já havia ganhado destaque na imprensa baiana. O litígio envolveu dois sanfoneiros, que diziam ser os proprietários do instrumento. As gravações foram feitas nesta última semana em Senhor do Bonfim, com sanfoneiro o Nivaldo do Acordeon, que ganhou a causa; com o Delegado de Polícia, Felipe Neri, e o magistrado, que prolatou a decisão em prosas, denominada informalmente de “Habeas Fole”, para tirar a sanfona da cadeia. A matéria, que pode ir ao ar neste domingo, também terá a participação das cantoras paraibanas Lucy Alves e Elba Ramalho. A disputa começou quando o sanfoneiro Renato Cigano, que mora em São Paulo, foi até a delegacia de Senhor do Bonfim para reivindicar a posse do instrumento usado por Nivaldo Amaro de Araújo, o Nivaldo do Acordeon. Ele teve a safona roubada há três anos e, após ver a sanfona de Nivaldo nas redes sociais, acreditou ser a mesma furtada. A sanfona foi “presa” na delegacia até o final da apuração dos fatos. Nivaldo apresentou documento de compra e venda, comprovando a propriedade da mesma. Com a prova, concluiu-se o processo. Admirador do som do instrumento e fã de Luiz Gonzaga e da cultura musical nordestina, o juiz Teomar disse que a ideia da poesia da Sanfona surgiu a partir de todo um contexto histórico da origem da sanfona, inserida em uma contenda jurídica, disputada pelos dois grandes sanfoneiros. Natural do município de Nova Olinda-PB, ele ingressou na magistratura baiana em 2013, inicialmente na comarca de Jacaraci, e depois Itapicuru, com substituição em Coração de Maria. Em abril de 2017, chegou a Senhor do Bonfim, e, em menos de um ano, foi agraciado com o título de “cidadão bonfinense”, pelos vereadores da denominada "capital baiana do forró”. Decisão No embalo da emoção Sanfoneiros pedem aquela sanfona velha Que um dia já foi bela Hoje ela é castigada, afastada da canção Condenada a viver gelada No banheiro da prisão E o sanfoneiro engaiolado Sem a voz, os dedos e o pulmão Distante da sanfona velha Seu maior bem de estimação Espera que o Juiz diga qual o querelado Que levará a sanfona do povo junto ao seu coração Não há mais tempo de espera Para uma decisão que preste O povo está desolado Por ver o maior símbolo do Nordeste Que despontou numa tapera Como um pássaro engaiolado De tão simples instrumento Das cantigas do sertão, xote, xaxado e baiãoPassou à relíquia sem documentoDe disputa encarecida, cobiçada no momentoQue chega a envergonhar o nosso Rei GonzagãoQuando disse outro dia que o jumento é nosso irmão Pobre sanfona do povo Pagando o que não deve Como qualquer prisioneiro Presa por ser a rainha do Nordeste e do Sertão Não pode mais permanecer Como adorno de banheiro de masmorra da prisão Não sei quem é o proprietário Mas, o possuidor do melhor documento (fls. 62) É presumido o signatário Dono daquele instrumento Ficando com o direito De recebê-la no peito como fiel depositário Não decido por decidir Mas, por a lei me permitir (art. 120, § 4º, CPP) Colocar em suas mãos Que outrora foi tirada, do povo e dos cidadãos Sem piedade e compaixão Aquela sanfona velha que imortalizou Gonzagão Nilvado o direito é seu, como fiel depositário Visto o seu opositor não ter provado o contrário Até que se finde a contenda Delegado me atenda Como da outra vez foi buscar A bela sanfona do povo, vá agora entregar E para finalizar Hei por bem declarar Que fui competente para buscar Sou também para entregarCumpra-se, sem titubear.
14/04/2018 (00:00)
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