TJPR lança curso sobre feminicídio e desafios da prática forense
TJPR LANÇA CURSO SOBRE FEMINICÍDIO E DESAFIOS DA PRÁTICA FORENSE
Formação aborda alterações legislativas recentes e busca qualificar a atuação judicial no enfrentamento à violência contra a mulher
16/03/2026
Atualizado há 3 dias
O Tribunal de Justiça do Estado do Paraná (TJPR), por meio da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cevid) e da Escola Judicial do Paraná (Ejud-PR), lançou o curso “Feminicídio: alterações legislativas e desafios da prática forense”, iniciativa voltada à capacitação de magistradas e magistrados, servidoras e servidores do Poder Judiciário, além de profissionais da rede de proteção às mulheres em situação de violência.
A formação é ofertada na modalidade Educação a Distância (EAD), em formato autoinstrucional, com carga horária de 20 horas, no Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) da Ejud. O lançamento ocorre durante a Semana da Justiça pela Paz em Casa, campanha nacional coordenada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que busca fortalecer a resposta institucional no enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher.
Segundo a coordenadora da Cevid do TJPR, desembargadora Cristiane Tereza Willy Ferrari, a iniciativa reafirma o compromisso do Poder Judiciário com a proteção das mulheres e com a qualificação da atuação institucional diante dos desafios relacionados à violência de gênero.
“Este curso foi elaborado pela Cevid em parceria com a Escola Judicial do Paraná e reafirma o compromisso institucional do Tribunal de Justiça com a proteção das mulheres vítimas de violência doméstica e familiar. A proposta é capacitar magistradas, magistrados, servidoras, servidores e profissionais da rede de proteção para compreender as alterações legislativas e os desafios da prática forense nos casos de feminicídio”, destaca.
A proposta do curso é promover uma abordagem crítica e sistêmica das recentes mudanças legislativas, especialmente aquelas introduzidas pela Lei nº 14.994/2024, conhecida como Pacote Antifeminicídio, e analisar os desafios enfrentados na prática forense, desde a investigação do crime até a execução penal. A iniciativa também busca fortalecer a atuação integrada do sistema de justiça e da rede de proteção às mulheres.
A formação está estruturada em quatro unidades de aprendizagem, que percorrem diferentes dimensões do enfrentamento ao feminicídio. A primeira unidade aborda o arcabouço teórico sobre o feminicídio, com a participação da desembargadora do TJPR Priscilla Plachá Sá, que apresenta fundamentos sociológicos e antropológicos do fenômeno, além de reflexões sobre as recentes alterações legislativas. A desembargadora ressalta que a qualificação permanente é essencial para aprimorar a atuação do sistema de justiça em temas de grande impacto social.
“A capacitação para lidar com esses casos permite que a prestação jurisdicional seja não apenas tecnicamente mais qualificada, mas também mais atenta às peculiaridades do tema, inclusive no atendimento às partes e no fornecimento de informações acessíveis e de qualidade”, explica.
Na segunda unidade, a delegada da Polícia Civil do Piauí Eugênia Villa discute os desafios da investigação do feminicídio, abordando protocolos de atuação, avaliação de risco e os papéis dos diferentes atores envolvidos na apuração desses crimes.
A terceira unidade trata dos desafios no plenário do júri, com a participação da promotora de justiça do Ministério Público do Estado do Paraná (MPPR) Ticiane Pereira e do magistrado do TJPR Thiago Flores Carvalho, que analisam os impactos das mudanças legislativas no julgamento desses casos, incluindo a vedação da tese da chamada “legítima defesa da honra”.
Já a quarta unidade aborda a persecução penal e a execução da pena sob a perspectiva de gênero, com a participação do promotor de justiça do MPPR Ronaldo Costa Braga e da juíza de Direito do TJPR Juliana Zanin. A proposta é discutir as repercussões das novas normas na atuação jurisdicional e os desafios para garantir a efetividade da proteção às mulheres.
Para a juíza de Direito Juliana Zanin, colaboradora da formação, a capacitação permanente dos profissionais do sistema de justiça é fundamental para aprimorar a resposta institucional diante da violência contra a mulher.
“A capacitação contínua de magistradas e magistrados, servidoras e servidores é um dos instrumentos mais relevantes para a prevenção e o enfrentamento do feminicídio. Isso permite que o sistema de justiça atue de forma mais qualificada e atenta às particularidades desses casos, inclusive na fase da execução penal, garantindo maior proteção às mulheres e contribuindo para evitar a reiteração da violência”, afirma.
Ao combinar videoaulas, leituras orientadas e atividades avaliativas, o curso busca oferecer uma formação acessível e aprofundada, permitindo que as participantes e os participantes organizem seus estudos de forma flexível, sem abrir mão do rigor técnico e da atualização normativa. A iniciativa integra as ações do TJPR voltadas à promoção de uma atuação judicial cada vez mais qualificada, sensível às questões de gênero e comprometida com a preservação da vida e da dignidade das mulheres.
Acesse o curso no Ambiente Virtual de Aprendizagem da Ejud: Feminicídio: alterações legislativas e desafios da prática forense