Sábado
04 de Julho de 2026 - 

STANCHI & OLIVEIRA

Cotação da Bolsa de Valores

Bovespa 0,92% . . . .
Dow Jone ... % . . . .
NASDAQ 0,02% . . . .
Japão 1,86% . . . .

Previsão do tempo

Segunda-feira - Rio de Jane...

Máx
32ºC
Min
24ºC
Chuva

Terça-feira - Rio de Janei...

Máx
34ºC
Min
26ºC
Parcialmente Nublado

Quarta-feira - Rio de Janei...

Máx
35ºC
Min
27ºC
Parcialmente Nublado

Quinta-feira - Rio de Janei...

Máx
34ºC
Min
26ºC
Parcialmente Nublado

Controle de Processos

Hip hop é destaque em abertura de evento do CNJ para jovens do socioeducativo

O direito à cultura e o potencial do hip hop como instrumento de expressão, participação e construção de novos projetos de vida marcaram a abertura da 5ª edição do Caminhos Literários no Socioeducativo: pelo direito à cultura, realizada nesta quarta-feira (2/3) pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Com o tema “Resistir em batida, verso, corpo e traço”, a programação vai até o dia 8 de julho reunindo representantes do Sistema de Justiça, gestores públicos, artistas e adolescentes de todo o país para debater o papel da cultura na socioeducação e compartilhar experiências desenvolvidas nas unidades. “Quando alguém lê um livro, escreve uma letra de música, desenha, dança ou faz um beat, está produzindo sentido para a própria vida. Nós acreditamos que todo jovem é capaz de produzir conhecimento, arte e novos projetos de vida”, afirmou o presidente do CNJ, ministro Edson Fachin. Ele destacou que o acesso à cultura integra o conjunto de direitos assegurados a esses adolescentes e lembrou que o Caminhos Literários foi criado que essa seja uma realidade nas unidades. A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello, ressaltou que a escolha do hip hop como tema da edição reconhece a potência das expressões culturais produzidas pelas juventudes periféricas e reafirma o compromisso do Estado com a garantia de direitos. “Que a batida, o verso, o corpo e o traço continuem sendo caminhos de liberdade e de novas trajetórias”, disse. Também dirigindo-se aos adolescentes que acompanhavam a transmissão, a coordenadora da Unidade de Governança e Justiça para o Desenvolvimento do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Andrea Bolzon, reforçou que a cultura é um direito básico e um espaço de expressão. “Quando vocês escrevem um poema, gravam um vídeo, fazem um grafite, dançam ou contam uma história, estão dizendo ao mundo: ‘eu existo, a minha história importa’.” A importância da cultura para a construção de novos projetos de vida também permeou as falas do presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Marco Lucchesi, do secretário de Formação, Livro e Leitura do Ministério da Cultura, Jeferson Assumção, e da presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), Deila Martins. Enquanto Lucchesi destacou a arte como possibilidade de “construir uma nova biografia”, Assumção defendeu a aproximação entre literatura e outras linguagens, como o hip hop, e Deila reforçou que a cultura deve ser compreendida como parte do caráter pedagógico da socioeducação. Encerrando a abertura, o adolescente Arthur de Mari, integrante do Comitê de Participação de Adolescentes do Conanda, defendeu a socioeducação como política voltada à garantia de direitos. “Socioeducação está no nome: educação. Não é feita para punir; é feita para educar”, afirmou. Realizado pelo CNJ, por meio do Programa Fazendo Justiça, em parceria com o PNUD, o Caminhos Literários integra a Agenda Justiça Juvenil e, desde 2022, promove iniciativas culturais no sistema socioeducativo. Nesta edição, tem apoio do Grupo Companhia das Letras. Do beat à palavra A conferência magna “Do Beat à Palavra” reuniu os rappers Edi Rock, dos Racionais MC’s, X, do Câmbio Negro, Tuca Lélis, do Realidade Cruel, e a grafiteira indígena Kakaw Tamoyos para uma conversa sobre arte, identidade e construção de novos caminhos. Os convidados também responderam a perguntas enviadas por adolescentes de unidades socioeducativas de diferentes estados. As questões foram elaboradas pelos jovens que participam da cobertura colaborativa do Caminhos Literários após uma formação em comunicação promovida pelo CNJ. “Você vai estudar para o resto da vida, independentemente da profissão que escolher. Tudo é estudo. Tudo é prática”, afirmou Edi Rock. Na mesma direção, X destacou que o conhecimento continua sendo a principal ferramenta para transformar trajetórias. “A inspiração vem daquilo que você lê, daquilo que você escuta, daquilo que você aprende”, disse. Para Tuca Lélis, “a literatura não se define apenas em um livro. A literatura é a nossa própria vida. Cada um de nós escreve sua história todos os dias e sempre pode escrever um novo futuro”, afirmou. Entre as perguntas selecionadas, Sofia, Ana Laura e Dafne, adolescentes de uma unidade socioeducativa de Mato Grosso, quiseram saber se Kakaw Tamoyos sonhava em ser artista desde criança e se hoje conseguia viver da própria arte. A grafiteira contou que desenha desde pequena, buscou cursos gratuitos para aperfeiçoar a técnica e conciliou durante anos o trabalho formal com a produção artística até conseguir dedicar-se integralmente ao grafite. “Hoje eu vivo da minha arte. Não foi um caminho rápido, mas foi um caminho possível. A arte abriu portas que eu nem imaginava”, respondeu. Reconhecimento institucional Da regulamentação nacional às experiências desenvolvidas nos territórios, os debates mostraram como o hip hop vem sendo incorporado às políticas públicas de cultura, educação e socioeducação, ampliando oportunidades para adolescentes e fortalecendo estratégias de prevenção às violências. Ao abrir o painel, o conselheiro do CNJ Fábio Esteves destacou que garantir o direito à cultura exige articulação entre diferentes instituições e defendeu que essa dimensão esteja presente nas políticas voltadas à socioeducação. Na mesma direção, a secretária de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão do Ministério da Educação (Secadi/MEC), Zara Figueiredo, apresentou a Escola Nacional do Hip Hop como iniciativa voltada ao enfrentamento das desigualdades educacionais por meio da valorização das expressões culturais das periferias. Para a diretora de Promoção e Diversidade Cultural da Secretaria de Cidadania e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura (MinC), Karina Gama, o reconhecimento institucional do hip hop é resultado de décadas de mobilização social e ganhou novo impulso com a publicação do Decreto 11.784/2023, que reconheceu oficialmente o movimento como referência da cultura brasileira. Segundo ela, fortalecer essa agenda significa consolidar políticas públicas de cidadania, persidade e inclusão. A construção dessas políticas com participação ativa dos próprios movimentos sociais foi defendida pela rapper e pesquisadora Isa Negratcha, presidente da Frente Nacional de Mulheres no Hip Hop. “Fale de nós, para nós, mas não sem nós”, resumiu Isa. Encerrando a mesa, o DJ, produtor cultural e educador social DJ Big compartilhou experiências desenvolvidas ao longo de mais de três décadas em escolas públicas, periferias e projetos voltados à juventude. Para ele, o principal desafio não é descobrir talentos, mas “criar oportunidades para que eles floresçam”. Hip hop como ferramenta de transformação O primeiro dia do Caminhos Literários também reuniu experiências de diferentes estados, evidenciando como o hip hop vem sendo utilizado para fortalecer vínculos, ampliar oportunidades e promover o protagonismo juvenil. A conselheira do CNJ supervisora do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e do Sistema de Execução de Medidas Socioeducativas do CNJ, Jaceguara Dantas, abriu o painel, destacando o papel do Judiciário na articulação entre instituições comprometidas com a garantia de direitos e a construção de novas oportunidades para adolescentes. Em seguida, o professor da Universidade Federal de Rondônia, rapper e produtor cultural Carlos Mossoró, lembrou que o hip hop foi a porta de entrada para novas formas de compreender o mundo e construir seu projeto de vida. Representando o Centro Acreano de Hip Hop, DJ De Menor apresentou iniciativas locais e destacou o papel do movimento na construção de oportunidades. Já a b-girl Moniky Gomes falou sobre a potência da dança como ferramenta de expressão e fortalecimento da autoestima. Juliano Mendes, da Casa do Hip Hop de Alagoas, apresentou experiências de ocupação dos territórios por meio da arte urbana, enquanto Francisco Celso, do Projeto RAP, do Distrito Federal, defendeu o reconhecimento dos adolescentes como sujeitos produtores de conhecimento e cultura. Próximos dias A programação do 5º Caminhos Literários segue até 8 de julho. Nesta quinta-feira (3), adolescentes de mais de cem unidades socioeducativas participam do Caminhos pelo Território, iniciativa que mobiliza visitas a equipamentos culturais, oficinas, batalhas de rima, saraus, apresentações artísticas e outras atividades organizadas em parceria com museus, bibliotecas, universidades e coletivos locais. Acesse a programação das unidades Nos dias 7 e 8 de julho, a programação será exclusiva para unidades socioeducativas. Além de oficinas e rodas de conversa, adolescentes apresentarão experiências selecionadas para a Mostra Cultural do Socioeducativo, compartilhando produções desenvolvidas ao longo do último ano em diferentes linguagens artísticas. Reveja o primeiro dia do evento: Texto: Renata Assumpção Edição: Nataly Costa e Débora Zampier Agência CNJ de Notícias Número de visualizações: 20
03/07/2026 (00:00)
Visitas no site:  29573716
© 2026 Todos os direitos reservados - Certificado e desenvolvido pelo PROMAD - Programa Nacional de Modernização da Advocacia