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Controle de Processos

Na OAB Paraná, Clèmerson Clève defende autocrítica do STF e alerta: “O remédio virou veneno”

O Supremo Tribunal Federal precisa se salvar de si mesmo. Essa é a visão do constitucionalista Clèmerson Clève, que fez, nesta quarta-feira (15), a conferência de abertura do evento Código de Conduta para o STF: necessidade real ou resposta simbólica à crise?. Realizado pela Comissão de Gestão e Controle da Administração Pública da OAB Paraná, o evento vai até o dia 16 e reúne a advocacia paranaense, que vai elaborar um manual orientativo sobre o tema a partir dos debates.Para Clève, a corte acumula desvios, como ministros excessivamente expostos, relações suspeitas com partes de processos e a atuação controversa de parentes na advocacia. Na visão dele, a saída acertada é a autocrítica antes que o Congresso tome a iniciativa.A visão do jurista se somou ao que o presidente da OAB Paraná, Luiz Fernando Pereira, afirmou no início do evento: “O STF está diante de uma crise moral sem precedentes. O que está acontecendo no Supremo não é apenas uma crise política, não é apenas uma crise institucional, é uma crise de conduta, de limites. Uma crise sobre o que os mais altos juízes na hierarquia do Judiciário entendem – ou deixaram de entender – sobre os deverem que esse poder impõe”.Clève situou o debate em um contexto amplo de retrocesso global. Para ele, o mundo atravessa um preocupante retorno ao extremismo. E, quando o Congresso Nacional se cala diante desse avanço, cabem à imprensa e ao Judiciário o papel de guardiões da democracia. Nesse cenário, “restava ao Supremo a dura tarefa da resistência”.O professor relembrou que a Constituição de 1988 conferiu ao Judiciário brasileiro um protagonismo sem precedentes, “como em nenhum outro país ocidental”, afirmou. Também relembrou que o STF foi determinante em momentos-chave da história recente, como na pandemia, quando “reforçou o quadro normativo e a segurança necessária aos agentes públicos” e foi decisivo para a superação da crise sanitária “sem maiores traumas”. A corte também cresceu politicamente durante a crise institucional, quando críticas antes dirigidas ao Congresso foram redirecionadas ao Supremo.Mas esse acúmulo de poder, avaliou Clève, cobrou seu preço. “O problema é que o remédio, a depender da dose, vira veneno”, afirmou. E o veneno, segundo ele, já age: o tribunal que resistiu aos extremistas perdeu progressivamente a confiança da sociedade. Condutas comprometedorasClève enumerou o que chamou de pontos críticos para a imagem da corte: entrevistas em off concedidas por ministros, relações próximas com pessoas ou empresas envolvidas em processos em julgamento, participação em eventos patrocinados por empresas privadas com interesses em causas que tramitam no STF e situações de “demasiada exposição” pública.“Decisões da corte, mesmo quando corretas, proporcionais ou adequadas, causam desconfiança quando tomadas por ministros demasiadamente expostos”, disse. Para o constitucionalista, é a primeira vez que uma sombra de desconfiança paira sobre a probidade dos operadores da própria corte.Entre os problemas estruturais, destacou o mecanismo de sabatina no Senado — que, na sua avaliação, funciona mais como “instrumento de constrangimento da escolha do presidente do que oportunidade de verificação do preparo dos ministros”. Também apontou como problemática a concessão de liminares monocráticas suspendendo condenações já confirmadas em três graus de jurisdição, e uma postura errática em matéria penal, “mudando a orientação conforme a circunstância”.Clève também fez uma crítica direta ao que chamou de lobby familiar no tribunal. “O lobby dos parentes [no STF] vem tomando conta da advocacia com seus gordos honorários, prejudicando a imagem daqueles que são sérios”, afirmou. Autocorreção urgenteO tom da conferência foi de urgência, mas também de esperança institucional. Para Clève, a correção deve partir de dentro. “Do ponto de vista institucional, apresenta desvios e disfuncionalidades. É melhor que sejam medidas autocorretivas, tomadas no âmbito da própria corte. Pois a correção poderá vir de fora, através de iniciativas nem sempre adequadas do Congresso.”Entre as medidas que defendeu estão cláusulas específicas para regulamentar a participação de ministros em eventos; a proibição de atividade empresarial ou análoga — exceto como acionista de empresa de capital aberto; e a revisão da decisão que declarou inconstitucional o artigo 144, inciso 3, do Código de Processo Civil.O constitucionalista concluiu ao frisar que o próprio Supremo tem a capacidade de recuperar a imagem diante da sociedade. “O STF pode e deve ser aperfeiçoado para alcançar maior autoridade, legitimidade e transparência”, ponderou.“Auguramos que a corte tome consciência o quanto antes de que ela, especialmente ela, precisa salvar-se de si mesma”, concluiu Clèmerson Clève.
16/04/2026 (00:00)
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