O Direito de se Cuidar: falar sobre prevenção salva vidas
Primeiro texto da série “O Direito de se Cuidar”, que acompanha ao longo do mês os cuidados, os direitos e o apoio no enfrentamento ao câncer de mama
“Outubro Rosa é um compromisso com a vida: informação, acesso e acolhimento para que cada mulher seja cuidada por inteiro, durante o ano inteiro”, afirma a oncologista Maria Cristina. A frase resume uma mensagem que se repete a cada mês de outubro, mas que ainda precisa ser dita: quanto mais cedo o câncer de mama é descoberto, maiores são as chances de tratamento e de cura.
O tema merece atenção constante. Segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil deve registrar 78.610 novos casos da doença por ano no triênio 2026–2028, o que equivale a um risco de 71,57 casos para cada 100 mil mulheres. Desconsiderados os tumores de pele não melanoma, é o câncer mais frequente entre as brasileiras.
A prevenção passa pelo acompanhamento regular da saúde e por hábitos do dia a dia: alimentação equilibrada, atividade física, controle do peso, menos álcool e abandono do cigarro estão associados à redução do risco. Também é importante observar alterações nas mamas, como nódulos endurecidos, mudanças na pele ou no mamilo e saída espontânea de líquido. O autoexame, porém, não substitui a mamografia, principal exame de rastreamento. Pela recomendação atual do Ministério da Saúde, mulheres de 50 a 74 anos devem fazer a mamografia a cada dois anos, e o acesso ao exame pelo SUS foi ampliado para mulheres de 40 a 49 anos, mesmo sem sinais ou sintomas, por decisão conjunta com o profissional de saúde.
Foi para reforçar essa mensagem que a OAB-PR realizou, na última quinta-feira (8), o evento “Dia D do Movimento Rosa”, promovido pela Comissão da Mulher Advogada (CMA) e pela CAA Pela Vida Delas, na sede da Seccional, em Curitiba. A diretora de projetos da CMA, Kelly Comandulli, destacou que “mais do que falar sobre prevenção, buscamos despertar a consciência de que cuidar também é acolher, respeitar e oferecer dignidade”.
Segundo ela, um dos momentos mais marcantes foi o interesse e o envolvimento de tantas mulheres nas palestras sobre prevenção, o que reforça a importância de espaços de informação e conscientização. A programação também abordou os cuidados paliativos, tema que, para Kelly, convida a refletir sobre o significado de cuidar para além de tratamentos e procedimentos, com escuta, sensibilidade, acolhimento e humanização em todas as etapas.
Para quem está adiando a consulta ou o exame, a enfermeira Rosemeire Batista deixa um recado: o primeiro passo é conhecer o próprio corpo. Ela reconhece que a rotina exaustiva, o medo e a falta de informação fazem muitas mulheres postergarem o cuidado, mas defende que “informação é a chave, desenvolve a consciência”. Para Rosemeire, mulheres bem informadas podem ser a rede de apoio umas das outras para vencer o medo.
Na próxima reportagem da série, acompanhe a abordagem institucional e jurídica do tema. A presidente da Comissão de Direito à Saúde da OAB PR, Renata Farah, explica quais direitos as pacientes têm e como o apoio jurídico pode fazer diferença durante o tratamento.