Ameaça de novas tarifas: Estados Unidos acusam governo brasileiro de práticas injustas ou discriminatórias
EUA ameaçam o Brasil com novo tarifaço Os Estados Unidos pulgaram nesta terça-feira (2) os primeiros resultados de uma investigação sobre práticas comerciais do Brasil. Como resultado dessa investigação, o governo americano propõe um novo tarifaço contra os produtos brasileiros - desta vez, de 25%. Na decisão, o governo americano ataca o PIX e o Judiciário brasileiro. Era quase meia-noite de segunda-feira (1º), quando o anúncio foi feito. O representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, publicou uma nota em que afirma que ele e o presidente americano, Donald Trump, tiveram persas reuniões construtivas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu gabinete, reuniões que se intensificaram nas últimas semanas. No entanto, afirma o representante, "continuamos a ter diferenças substanciais na resolução das questões desta investigação”. A investigação contra o Brasil começou no dia 15 de julho de 2025 e cobriu seis áreas: comércio digital e serviços de pagamento eletrônico;tarifas injustas e preferenciais;proteção da propriedade intelectual;aplicação da legislação anticorrupção;acesso ao mercado de etanol;e desmatamento ilegal. O resultado preliminar conclui que atos, políticas e práticas do Brasil são injustos ou discriminatórios, e prejudicam ou restringem o comércio dos Estados Unidos. Sobre comércio digital, o documento diz que: "Tribunais brasileiros emitiram ordens sigilosas determinando que empresas de rede social dos Estados Unidos, como X, Meta e Google, removam determinados conteúdos políticos e suspendam perfis de residentes nos Estados Unidos”. Além da multa contra essas empresas, o documento também cita a suspensão da rede social Rumble, desde fevereiro de 2025, e do X, por mais de um mês em 2024. Desde 2020, o ministro do Supremo Alexandre de Moraes ordenou o bloqueio de ao menos 120 contas nas redes sociais e o bloqueio das redes sociais Rumble e X no Brasil, por descumprimento de ordens judiciais e por deixar de indicar representante legal no país. O STF afirma que todos os casos foram acompanhados pela Procuradoria-Geral da República e pelas defesas. Setenta recursos foram julgados de forma colegiada. Essas ordens de remoção de conteúdo nas plataformas digitais foram dadas em inquéritos que apuram ameaças ao STF, atos antidemocráticos e também tentativa de golpe de Estado. A maior parte das contas bloqueadas já foi reativada por decisões do STF. Em relação às tarifas, o texto afirma: "O Brasil concede tratamento tarifário preferencial a centenas de mercadorias do México e da Índia em persos setores”. Segundo o governo brasileiro, as tarifas reduzidas fazem parte de acordos do Mercosul com Índia e México e não restringem o acesso de produtos americanos ao mercado brasileiro. Sobre o combate à corrupção, o texto afirma que "o Brasil falhou e continua falhando em adotar medidas suficientes de fiscalização e aplicação da lei para combater o suborno e a corrupção”. O documento lembra a decisão do ministro do Supremo Dias Toffoli, que em setembro de 2023 anulou as provas obtidas no acordo de leniência com a Odebrecht. Também cita a suspensão de penas no âmbito da Operação Lava Jato. 1 de 1
Ameaça de novas tarifas: Departamento de Comércio dos Estados Unidos acusa governo brasileiro de práticas injustas ou discriminatórias — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução Sobre o acesso ao mercado de etanol, o documento afirma: "Em 2017, o Brasil interrompeu abruptamente o tratamento tarifário equilibrado”. Atualmente, o Brasil aplica tarifa de 18% sobre o etanol americano. Enquanto os Estados Unidos aplicam uma tarifa de 12,5% sobre o etanol brasileiro. A investigação aponta ainda que: "Apesar de possuir um arcabouço jurídico para o combate ao desmatamento ilegal, o Brasil historicamente falhou em aplicar efetivamente esse arcabouço, e o desmatamento ilegal persiste”. Mas o relatório cita dados defasados, como o índice de desmatamento da Amazônia de 2021, à época um dos mais elevados da série histórica. Em 2025, o desmatamento do bioma teve queda de 20%. O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, disse que dados técnicos comprovam que o Brasil redobrou a fiscalização e reduziu o desmatamento em todos os biomas e que isso foi apresentado ao governo americano. "Ou seja, nós informamos, nós apresentamos todos os dados. Mostramos, inclusive, a evolução das multas aplicadas, das apreensões realizadas, a queda do desmatamento de forma consistente e permanente, mas nada disso parece ser utilizado da forma correta pelos agentes do governo norte-americano”, afirma João Paulo Capobianco, ministro do Meio Ambiente. Mas a autoridade publicou uma lista de exceções que tem 73 páginas e cerca de 700 produtos. A lista inclui matérias-primas consideradas estratégicas ou produtos que os Estados Unidos não conseguem produzir em quantidade suficiente para atender à demanda doméstica. Entre eles: carnes, frutas, café, terras raras e outros minerais, energia, aviões e peças aeronáuticas. O aço e alumínio, já submetidos a tarifas separadas, também ficariam isentos dessa nova sobretaxa. O representante de Comércio dos Estados Unidos disse que espera continuar o diálogo com o governo brasileiro até o dia 15 de julho - prazo para determinar as medidas contra o Brasil. O público pode enviar comentários por escrito até 1º de julho. Alguns dias depois, no dia 6, vai haver uma audiência pública em Washington. Também nesta terça-feira (2), o presidente Donald Trump pulgou fotos do encontro com o senador pelo PL e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro. A reunião aconteceu há uma semana. Trump disse que foi bom receber Flávio Bolsonaro. O presidente chamou o senador de jovem inteligente que ama o país dele. "Agora temos uma coalizão de países amigos, com a exceção da Nicarágua, de Cuba, obviamente da Venezuela, e, é claro, do Brasil, embora o país esteja no meio de um ciclo eleitoral”. GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Jornal Nacional LEIA TAMBÉM EUA concluem que Brasil tem práticas 'irrazoáveis' e propõem tarifa de 25% sobre produtos nacionaisQuais os próximos passos e prazos da investigação comercial dos EUA contra o Brasil?Lula diz que 'filhos são piores que Bolsonaro' ao associar taxação dos EUA à família do ex-presidente: 'Traidores da pátria'Flávio Bolsonaro diz ter pedido a Trump que não taxasse produtos do BrasilAna Flor: Novo tarifaço dos EUA é mais sério e tem potencial eleitoral