CIJ debate misoginia em encontro virtual
Evento discutiu educação e machismo estrutural.
A Coordenadoria da Infância e da Juventude (CIJ) e a Escola Judicial dos Servidores (EJUS) do Tribunal de Justiça de São Paulo realizaram, na última sexta-feira (17), a palestra on-line “Meninas de hoje, mulheres de amanhã: educando para romper a misoginia”. O objetivo foi debater o problema na sociedade brasileira e mundial, destacando a dinâmica que envolve o ódio contra a mulher e o que pode ser feito para conter a crescente onda de violência de gênero. A palestra foi mediada pela juíza Calila de Santana Rodamilans e ministrada pela juíza da 1ª Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher do Foro Regional de São Miguel Paulista, Tatiane Moreira Lima.
A magistrada definiu “misoginia” como um conjunto de atitudes, crenças e práticas que expressam desprezo, desvalorização ou controle sobre a mulher, ressaltando que ela não surge na agressão, mas a partir de padrões constituídos desde a infância. “A violência é um fenômeno social construído ao longo do tempo em nossa sociedade. A infância é uma fase em que os valores se estruturam – a agressividade é aprendida pelo modo como meninos e meninas são educados e das expectativas que se têm sobre eles”, afirmou.
Nesse sentido, de acordo com a juíza, os homens são educados para ter autonomia, com maior tolerância à agressividade e valorização do papel de líderes. No caso das mulheres, a educação é voltada à docilidade, vigilância social e incentivo ao cuidado. “A desigualdade de gênero, que está na origem da misoginia, não é, em regra, ensinada de forma explícita, mas incorporada por meio de práticas cotidianas e simbólicas. Existe uma naturalização desses papéis e expectativas muito desiguais.”
A palestrante também destacou a proliferação de discursos de ódio contra as mulheres nas redes sociais como um dos grandes problemas atuais. “Esse discurso encontra um campo fértil entre jovens que querem pertencer a um grupo”, refletiu. Por fim, elencou ações que podem ser tomadas para reduzir a violência de gênero, como a eliminação de padrões discriminatórios, educação, trabalho de aspectos emocionais de crianças e adolescentes e responsabilização e punição de quem pulga conteúdos misóginos na internet. “O ideal é atuar sempre antes de surgir a violência. Também deve-se dificultar a disseminação rápida e massiva de discursos misóginos e implementar políticas públicas”, concluiu.
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