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Discussões sobre implantação de usina nuclear em Pernambuco avançam na Alepe

Após visita de uma comitiva de parlamentares, na semana passada, às usinas nucleares de Angra dos Reis (RJ), com o objetivo de fundamentar uma decisão acerca da instalação de empreendimento similar no município de Itacuruba, Sertão de Itaparica, a Alepe retomou o assunto nesta segunda (21). Foi promovido debate na Comissão de Meio Ambiente com a presença de representantes da comunidade científica, além de políticos e moradores da região. Professor aposentado da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e especialista em Ciências Nucleares, Heitor Scalambrini afirmou que é contrário à instalação da usina no Estado, tanto do ponto de vista econômico quanto do ambiental. “A energia gerada dessa forma é suja e não renovável, além de ser onerosa e oferecer risco de vazamento. Sua possível desativação também é complicada. Precisamos investir mais em fontes solar e eólica”, sugeriu.  O pesquisador destacou, ainda, que estudos da Organização Internacional do Trabalho indicam que esse tipo de empreendimento não gera desenvolvimento para o local onde está implantado. Para o cientista, a iniciativa é um desrespeito ao sertanejo, que já foi enganado inúmeras vezes. “Quem o defende está usando de falácias para justificá-lo e não está pensando nas consequências potenciais do lixo radioativo. Desistir dessa usina é defender a vida”, frisou Scalambrini.  A antropóloga Vânia Fialho apresentou estudo feito com comunidades do Sertão do Itaparica e também se posicionou contra a instalação do centro nuclear. Ela afirmou que os defensores alegam que a região é um vazio demográfico, o que possibilitaria a chegada de um empreendimento desse porte. “A área é, tradicionalmente, palco de povos indígenas e de comunidades quilombolas, cuja presença não pode ser desconsiderada. Essas pessoas têm uma forte ligação com a terra onde vivem e precisam ser respeitadas antes que se imagine qualquer iniciativa desse tipo”, ressaltou. A especialista salientou que, antes de mais nada, é preciso levar em conta os riscos de acidentes e lembrou que, dez anos após a tragédia ocorrida em Chernobyl (Ucrânia), a mortalidade local aumentou 23,5%. A procuradora regional do Ministério Público Federal em Serra Talhada, Maria Beatriz Ribeiro Gonçalves, informou que o Sertão de Itaparica possui 11 povos de comunidades indígenas e africanas. Pela legislação, para que um centro do tipo seja construído na região, essa população precisaria ser consultada. “Vamos acompanhar a viabilidade desse equipamento no Estado”, pontuou. O vice-prefeito de Itacuruba, Juninho Cantarelli, afirmou que não está seguro sobre a questão e propôs que haja um debate no município para que os cidadãos possam opinar e esclarecer dúvidas sobre o assunto. O presidente do colegiado, deputado Wanderson Florêncio (PSC), que é contrário à usina nuclear, destacou que o Brasil precisa investir em energia limpa e segura. Para o parlamentar, a discussão precisa ser aprofundada, pois envolve questões ambientais, econômicas e, sobretudo, éticas. “Estivemos em Angra dos Reis. Descobrimos que o lixo radioativo demora dez mil anos para se decompor e que, para concluir Angra 3, será necessário um gasto de US$ 15 milhões. Por que investir em algo tão caro e tão inseguro?”, indagou.  O deputado anunciou que, no dia 23 de novembro, haverá uma audiência pública em Itacuruba, reunindo vários colegiados da Casa, com o objetivo de ouvir a população local a respeito do tema. Florêncio antecipou que, segundo estudo da Eletronuclear, subsidiária da Eletrobras, os moradores do município são contra o empreendimento. Presentes à reunião, os deputados Lucas Ramos (PSB), João Paulo (PCdoB) e Doriel Barros (PT) afirmaram ser contrários à instalação da usina nuclear no Estado. “Em caso de acidente, o Rio São Francisco morrerá”, alertou o socialista. “Em defesa da vida e da ecologia, sou contra a iniciativa”, frisou o comunista. “Os danos ambientais seriam enormes”, alertou o petista.  Por sua vez, os deputados Antonio Fernando (PSC) e Alberto Feitosa (SD) defendem a iniciativa. Para Fernando, falta conhecimento sobre o tema para aqueles que são contra. “Os reatores modernos são muito seguros. As usinas de Angra existem há mais de 44 anos e nunca houve problemas”, enfatizou. “Se discutirmos tecnicamente, sem usar a emoção, veremos que o empreendimento será excelente para o Estado, pois vai gerar emprego e desenvolvimento”, acredita Feitosa, que é autor da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 9/2019, a fim de permitir a instalação de uma usina desse tipo no Estado.  O deputado Fabrizio Ferraz (PHS) opinou ser necessário respeitar a vontade da população e aguardar a análise da PEC na Casa. Já o líder do Governo, Isaltino Nascimento (PSB), adiantou que o Poder Executivo não foi oficialmente informado sobre a construção de uma usina nuclear em Pernambuco – inclusive porque, antes de tudo, é preciso mudar a Constituição Estadual. “Estamos em meio a muitas dúvidas. Além de precisarmos saber qual o valor do projeto e as consequências que ele trará para o meio ambiente, queremos saber quanto custará a manutenção e quem vai gerir esse centro. Para mim, até agora, a discussão tem tomado um viés político e não, técnico. Não podemos deixar que evolua dessa forma”, salientou. Tribuna – À tarde, durante a Reunião Plenária, a possível construção da usina em Itacuruba voltou a ser debatida por Antonio Fernando. O deputado do PSC relembrou que ouviu, na visita a Angra dos Reis, o testemunho de lideranças indígenas e religiosas que se opunham à construção da central nuclear e mudaram de posição. “Os representantes dos índios guaranis e da Igreja Católica em Angra são só elogios à usina”, contou. Além de Alberto Feitosa e João Paulo, também participou da discussão à tarde o deputado José Queiroz (PDT), que se manifestou favoravelmente ao empreendimento em Itacuruba. “Fui convencido de que o caminho do projeto nuclear brasileiro está certo, mas há muitas coisas a debater”, declarou o parlamentar. 
21/10/2019 (00:00)
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