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Mulheres no Legislativo

Ela foi eleita para o Parlamento estadual em 2006. Representando o norte do estado, obteve êxito logo na primeira eleição que disputou. Natural de Porangatu, cumpriu seu mandato parlamentar entre os anos de 2007 e 2011, durante a 16ª Legislatura da Assembleia Legislativa (Alego). A entrevistada desta 10ª edição do Mulheres no Legislativo é ex-deputada Vanuza Valadares. Formada em Gestão Pública pela Universidade Estadual de Goiás (UEG), Vanuza é especialista em Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente. Essa foi, inclusive, uma bandeira defendida com afinco durante sua atuação parlamentar.  Na passagem pela Alego, ela presidiu ainda a Comissão de Meio Ambiente da Casa e atuou na 16ª Legislatura com outras sete mulheres: Adriete Elias, Betinha Tejota, Cilene Guimarães, Flávia Morais, Isaura Lemos, Mara Naves e Laudeni Lemes. Participou, portanto, de momento ímpar no que tange à representatividade feminina na Alego, visto que esta bancada foi a segunda maior da história do Parlamento goiano, ficando atrás apenas da anterior, que contou com a atuação de nove deputadas.  Vanuza casou-se, aos 18 anos, com Eronildo Valadares, que foi candidato a prefeito em Porangatu, antes dela se lançar candidata ao Parlamento estadual.  Como fruto dessa união, a ex-deputada da Alego é hoje mãe de três filhos: Amanda, Givago e Heitor.  Antes de entrar para a vida política, atuava como empresária, em Porangatu, função que exerce até os dias de hoje. Junto ao marido, Vanuza administra um patrimônio próprio, que inclui uma gráfica, uma loja de material de construção e fazendas, tudo no norte goiano. Atualmente, Vanuza comanda também, na condição de presidente, as Centrais de Abastecimento de Goiás S.A (CEASA-GO).  Sempre afeita à política, a ex-deputada ainda mostra decidida vontade de voltar a disputar eleições. “Nós nunca podemos nos fechar para a possibilidade de exercer um novo mandato eletivo”, disse, durante entrevista às repórteres da Agência Assembleia de Notícias. E afirma que, se fosse eleita deputada hoje, trabalharia em prol da segurança das mulheres contra o feminicídio, fatalidade que tanto aflige a sociedade goiana atual.  Para Vanuza, a violência contra a mulher se apresenta como sendo um triste e direto legado da cultura do machismo, ainda muito forte em Goiás. Segundo ela, esse seria responsável por continuar a imputar à população feminina uma condição subalterna, de objeto de posse do homem, fazendo com eles se sintam no direito, nada legítimo, de decidir até quando a vida delas deve ou não existir.  "Acredito que esse problema envolve questão de fundo educacional e cultural, que precisa ser mudado. Precisamos mudar a forma machista de pensar", alertou. A ex-deputada chama atenção para diferenças importantes, nesse sentido, que já podem ser notadas entre a geração dela e a nova geração, em especial, no processo de desobjetificação da mulher, bastante em voga nas discussões da sociedade atual. “Essa geração, de hoje, tem uma mentalidade diferente. Eu vejo que meus filhos são companheiros, fazem o trabalho de casa. Diferente da minha geração, minha sogra mesmo criou os filhos dizendo que homem não podia limpar chão, que não era serviço de homem.” Na esperança de conter a situação avaliada por ela como “terrível", que tem em sua expressão mais dramática o aumento crescente das taxas de feminicídio, é que a ex-deputada se diz fiel defensora do aumento da participação feminina nos espaços de poder e decisão. “As mulheres passarão a ser vistas de outra forma”, frisou categoricamente. Além de suas posições e projeções políticas, durante a entrevista, Vanuza contou fatos persos de sua vida, a começar pela infância no interior de Goiás. Falou também sobre o casamento, maternidade e carreira empresarial. Compartilhou sonhos ainda latentes envolvendo a população da região norte do estado, para quem ainda espera muito contribuir a partir do trabalho público.  Elegante e tranquila, Vanuza traz na voz a ponderação de quem considera estar no lugar que lhe pertence e entende que todos os sacrifícios não foram vãos. Mesmo quando ela deixou os filhos pequenos em casa, mudando a rotina da família, para percorrer inúmeras vezes os mais de 400 quilômetros que separam Porangatu da Capital goiana, que abriga a sede deste Parlamento. Servi-lo bem pareceu mais do que uma justa causa: uma causa maior.  Percepções políticas Na época em que concorreu ao cargo de deputada, Vanuza disputou cadeira pelo PSC. Nessa legenda de centro direita viria a exercer, então, todo o seu mandato legislativo. Integrando hoje os quadros do MDB, partido de espectro político tido como mais moderado, em relação ao que era anteriormente filiada, Valadares usa o adjetivo “centrada” para definir a sua atual identidade partidária. “Não sou radical em nenhum dos dois lados. Fico no centro”, pontuou.  Questionada sobre sua experiência como mulher na política, Vanuza comenta sobre as dificuldades encontradas para se firmar nesse ambiente, algo que ela associa ao próprio histórico da educação feminina. “A mulher é criada para cuidar da casa e dos filhos, mesmo nos tempos atuais. Se ela quiser trabalhar fora, tudo bem, mais ainda vai ter todas as responsabilidades da casa para ela. Já o homem é criado para liderar, para fazer negócios, ir em reuniões, sem se preocupar em cuidar da casa, do jantar, do dever de casa dos filhos”, observou.  Outro fator que, segundo a entrevistada, também contribui para o afastamento das mulheres das candidaturas é o econômico. “Campanha é algo muito caro. Por mais que diminuam os gastos, ainda assim, é muito caro fazer campanha. Tem que contratar pessoal, advogado, contador, etc”, enumerou.  Mas, ainda assim, ela mostra alguma dose de ceticismo quanto à legislação eleitoral que estabelece cotas de financiamento para as campanhas femininas. “Tem que ver no que vai dar isso, não é? De qualquer forma, acredito que, se de fato houver uma redistribuição mais democrática dos recursos de campanha dos partidos, isso ajude, sim, a aumentar o número de mulheres concorrendo a cargos eletivos”, contrastou. Legado Cronologicamente, Vanuza começa a sua experiência pessoal na política goiana, em apoio ao marido, quando ele disputou a prefeitura de Porangatu, após ser incentivado pelos amigos da cidade. Descontraída, ela conta que "tomou gosto" pelas campanhas, pela proximidade com o povo, pela adrenalina sentida.  É a partir daí, que Vanuza passa a se interessar mais pela área. "Na época da eleição para a Assembleia, o partido cogitou meu nome e eu aceitei o desafio. Através da campanha do meu marido eu consegui muita visibilidade, as pessoas notaram o meu trabalho, meu empenho", relembrou.  Um parênteses importante na história de Vanuza é essa ênfase, sempre presente, ao apoio e suporte do marido. Ainda assim é curioso notar que, embora o primeiro a candidatar-se tenha sido de Eronildo Valadares, foi Vanuza quem conquistou o primeiro mandato, para quem a atuação política parecia restrita aos bastidores. Somente após três candidaturas consecutivas, Eronildo viria a se eleger, finalmente, prefeito de Porangatu em 2012. Ela conta que a dinâmica da campanha foi bem exaustiva, principalmente ao que dizia respeito a seus filhos - na época com 15, 13 e 6 anos-. "Foram três meses longe de casa. Contei com ajuda da minha mãe e de funcionários para cuidarem dos meninos, porque eles ainda dependiam muito da gente", disse.  Após eleita para o Legislativo estadual, com 12.103 votos - "só em Porangatu tive mais de 11.100 votos", diz orgulhosa - Vanuza se muda com os filhos para Goiânia, modificando toda a estrutura familiar. "Quem sentiu mais foi o caçula que era muito menino e não compreendia que eu tinha que morar aqui e o pai dele em Porangatu", relembra.  Suas ações no Legislativo giraram em torno, principalmente, de questões ambientais, o que envolve, inclusive, as articulações feitas para presidir a Comissão do Meio Ambiente. Ela conta que sempre teve apoio aos projetos que apresentou, mesmo sendo Goiás um estado agrícola e com uma bancada ruralista forte no Parlamento estadual. "Naquela época a gente recebia muito a Federação da Agricultura e tínhamos a preocupação de manter o equilíbrio entre a produção agrícola e o meio ambiente. Todos os projetos eram discutidos com eles e com os ambientalistas", afirmou. Vanuza contou que a relação com a Federação da Agricultura era amistosa e que apenas gerou polêmica a discussão do Código Florestal, que era de âmbito nacional. "Existiam muitos pontos dentro do código que geraram muita polêmica, porque é uma lei muito rigorosa", pontuou.  A discussão citada por Vanuza aconteceu em 2011 com o novo Código Florestal, que estipulava regras para a preservação ambiental em propriedades rurais. Entre outras regras, o Código previa dois mecanismos de proteção ao meio ambiente. O primeiro eram as chamadas áreas de preservação permanente (APPs), locais como margens de rios, topos de morros e encostas, que são considerados frágeis e devem ter a vegetação original protegida. Também tratava da reserva legal, área de mata nativa que não poderia ser desmatada dentro das propriedades rurais. Essas novas regras causaram polêmicas entre os ruralistas, que se sentiam prejudicados. O código foi sancionado por Dilma Rousseff em 2012 sob o nº 12.651. Dentre os projetos apresentados por ela, destaca-se o que dispõe sobre a utilização de borracha de pneu para confecção da massa asfáltica. "É importante porque ajuda na construção das cidades e evita o aumento da poluição causada com o descarte indevido dos pneus", frisou. (no fim dessa reportagem, você confere uma lista com os principais projetos apresentados por ela) Vanuza ficou muito feliz ao saber que a Assembleia Legislativa tem diminuído drasticamente o uso de copos descartáveis na Casa, através do projeto Selo Verde, que incentiva os servidores a adotarem o próprio copo reutilizável. Isto porque, enquanto parlamentar, ela protocolou uma proposta semelhante. "Eu entendo que às vezes, pequenas ações podem gerar grandes resultados", comemorou. O projeto concorre ao ainda ao prêmio Assembleia Cidadã, na Conferência Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais (CNLE) desse ano. Ao falar sobre os desafios enfrentados em sua carreira, principalmente por ser mulher e deputada, Vanuza comentou, batendo na mesa: "precisava me esforçar muito mais para expor minhas ideias. Alguns projetos eram tidos como coisa de mulher e nós tínhamos que ser bastante enfáticas para conseguir provar que eram importantes e que precisavam ser debatidos". Não obstante isso, ela confessa ter sido respeitada ao longo do seu mandato, o que inclui, sobretudo, essa garantia do direito à voz, e agradece a força encontrada nas demais deputadas. "Nós nos apoiávamos muito", arrematou.  Outra preocupação de Vanuza era diminuir o fluxo de pessoas vindo do norte à procura de atendimento médico em Goiânia. Por esse motivo, ela - junto com outros representantes da região - propôs a construção do Hospital Regional de Uruaçu. "Depois que o partido declarou apoio ao governador Alcides [Rodrigues] conseguimos algumas emendas e levamos para lá esse hospital. Essa luta foi nossa", disse. Entretanto, ela lamenta que o hospital ainda não entregue. “Acredito que o governador Ronaldo Caiado vá terminar essa obra que é grandiosa e que vai ajudar a população daquela região", afirma. Apaixonada pela política e devota ao trabalho público, Vanuza Valadares volta a falar sobre a vontade que nutre em esperança de exercer novo cargo eletivo. "Minha época aqui na Assembleia deixou muitas saudades, pretendo voltar e trabalhar para melhorar a vida das mulheres no estado", finalizou. Principais projetos apresentados Defensora do meio ambiente, Vanuza teve como destaque a proposição políticas de tratamento de resíduos de persas naturezas. Confira os principais: - Utilização de borracha de pneu descartado para a composição da massa asfáltica; - Coleta e doação de materiais recicláveis pela Administração Pública; - Reciclagem de óleo vegetal ou animal; - Criação de cadastro obrigatório para controle de materiais radioativos em Goiás; - Obrigatoriedade das empresas de ônibus, transportadoras, postos de combustível e lava jato instalarem equipamentos de tratamento e reutilização da água usada na lavagem de veículos; - Uso racional da água em edificações públicas.
22/11/2019 (00:00)
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