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Controle de Processos

Ceará recebe missão do CNJ para lançamento de ações do plano Pena Justa

Depois de passar por Pará, Piauí e Rio Grande do Norte, equipes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) encerram nesta quinta-feira (23/7) no Ceará missão para implementar iniciativas prioritárias do plano Pena Justa. O estado recebeu o lançamento da Central de Regulação de Vagas (CRV), estratégia de controle da superlotação prisional, e o Emprega LAB, espaço de governança voltado à ampliação das oportunidades de trabalho e qualificação profissional para pessoas privadas de liberdade e egressas. Dados do Levantamento de Informações Penais referentes ao segundo semestre de 2025 apontam que o Ceará possui 25.413 pessoas privadas de liberdade para 17.873 vagas. O déficit é de 7.540 vagas, com taxa de ocupação de 142%. “O Pena Justa é um freio de arrumação no sistema prisional. Significa devolver governança, transparência e efetividade a esses espaços, para que o crime organizado não ocupe o vazio deixado pelo Estado. Reestruturar as prisões é fazer segurança pública de verdade”, afirmou Luís Lanfredi, coordenador do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e do Sistema de Execução de Medidas Socioeducativas (DMF) do CNJ. No evento, o presidente do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), desembargador Heráclito Vieira de Sousa Neto, destacou o comprometimento do tribunal com a pauta. “Sem dignidade, oportunidades, educação e trabalho, não se rompe o ciclo da violência. Precisamos criar condições para que as pessoas lá dentro possam reconstruir suas trajetórias”. Gestão de vagas A CRV utiliza um conjunto de ferramentas para calcular a capacidade real dos estabelecimentos prisionais e orientar a ocupação dessas vagas conforme critérios legais. Com base em dados, emite alertas de superlotação e fomenta uma atuação conjunta entre Judiciário e Executivo para uma gestão mais eficiente do sistema. A estratégia também conecta o controle da ocupação a políticas da porta de entrada do sistema prisional (como audiências de custódia, alternativas penais e monitoração eletrônica), da execução penal (progressão de regime de acordo com direitos garantidos por lei) e porta de saída (atendimento a pessoas pré-egressas, ou seja, que estão prestes a terminar de cumprir a pena). Até 2027, as centrais deverão estar em funcionamento nas 27 unidades da Federação, conforme previsto no Pena Justa. A juíza auxiliar da Presidência do CNJ com atuação no DMF, Andréa Brito, e a equipe do programa Fazendo Justiça conduziram uma formação sobre a CRV para magistrados e servidores do TJCE. “A Central não se limita à contagem de vagas. Ela transforma o modo de gerir o sistema ao conectar dados, fluxos e decisões do Judiciário e do Executivo. Para a magistratura, isso significa conhecer a capacidade real das unidades e considerar as diferentes alternativas disponíveis antes de cada decisão que possa repercutir na ocupação prisional”, afirmou a juíza. Capacitação profissional A missão lançou ainda o Emprega Lab Ceará, iniciativa que faz parte do Pena Justa Emprega, ação para transformar estabelecimentos penais em unidades produtivas, garantir trabalho remunerado a pessoas privadas de liberdade e egressas, além de capacitação profissional, contribuindo para a redução da reincidência. “O governo do Estado já tem algumas parcerias na disponibilização de vagas para esse público, mas a partir de agora estaremos cada vez mais próximos das instituições que estão executando o plano”, disse Paulo Ferreira, secretário-executivo do Trabalho e Empreendedorismo do governo do Ceará. O Emprega LAB reúne representantes do Judiciário, do Executivo, do setor produtivo, do Sistema S, de instituições de ensino e da sociedade civil para articular estratégias de inclusão produtiva voltadas às pessoas privadas de liberdade e egressas. O laboratório coordena ações de capacitação profissional, empregabilidade, empreendedorismo e geração de renda, além de apoiar o planejamento, o compartilhamento de boas práticas e o monitoramento de resultados. “É preciso dar autonomia e perspectivas reais de mudança de vida às pessoas que saem do sistema prisional. O Emprega vai transformar iniciativas isoladas em uma política permanente de reintegração por meio do trabalho”, afirmou Gilvan Albuquerque, chefe da Divisão de Trabalho da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen). No início de dezembro de 2025, 12.816 das 25.413 pessoas privadas de liberdade no Ceará exerciam atividades laborais, o equivalente a aproximadamente metade da população prisional. Com o Emprega LAB, a expectativa é ampliar esse acesso e fortalecer a cooperação entre instituições públicas e o setor produtivo para criar novas oportunidades de trabalho e profissionalização. “O Sistema FIEC e o setor empresarial têm muito a contribuir com essa iniciativa, especialmente na formação profissional e na abertura de vagas. O Emprega LAB cria um espaço permanente de cooperação para conectar essas capacidades às necessidades do sistema penal e ampliar as oportunidades para quem busca reconstruir sua trajetória”, afirmou Paulo André Holanda, vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC). Recursos para execução do plano A missão do Pena Justa no Ceará também promoveu reuniões com a Assembleia Legislativa do Estado e o Tribunal de Contas do Estado sobre as estratégias de governança do plano. O Legislativo pode apoiar a implementação por meio do planejamento orçamentário, da destinação de recursos e da realização de audiências públicas. Já o Tribunal de Contas contribui ao acompanhar a execução das ações, fiscalizar a aplicação dos recursos e emitir recomendações para aperfeiçoar a política penal. Texto: Natasha Cruz Edição: Nataly Costa Agência CNJ de Notícias   Número de visualizações: 37
23/07/2026 (00:00)
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