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Conferência da Advocacia Corporativa traz reflexões sobre engajamento, resultado sustentável e os impactos da IA na liderança jurídica

Engajamento, resultado sustentável e os impactos da inteligência artificial na liderança jurídica estiveram em pauta na programação da Conferência da Advocacia Corporativa. O tema foi abordado de forma direta e provocadora pelo coach executivo e colunista de RH da Revista EXAME Adriano Lima, formado pela Universidade de Columbia e autor do livro Você em Ação. Na palestra “Pressão por resultados e liderança saudável na advocacia”, Lima questionou modelos de gestão consolidados no ambiente jurídico e defendeu que liderar, mais do que bater metas, é entregar resultados de forma sustentável — sem adoecer equipes ou comprometer a reputação das organizações. Para conectar o tema ao público jurídico, Lima partiu de uma provocação simples: o problema do desengajamento não poupa nenhum setor — e nos departamentos jurídicos e escritórios de advocacia, onde a pressão por resultados é estrutural e a cultura de alta performance pode mascarar ambientes adoecidos, o desafio é ainda mais urgente. Citando pesquisas globais, apontou que apenas cerca de 28% dos trabalhadores estão verdadeiramente engajados. O restante ou entrega o mínimo ou, pior, já abandonou mentalmente o trabalho enquanto ainda está na folha de pagamento. “Esse é o turno inpidual. Já saiu da sua empresa e ainda está na sua forma de pagamento. Essa talvez seja a sua maior despesa”, disse.A raiz do problema, segundo ele, está na confusão entre gerenciar e liderar. “Nem toda pessoa que está na cadeira de gestão está liderando. Fomos treinados e incentivados muito mais a gerenciar do que a liderar.” Lima estima que apenas 20% dos gestores exercem liderança de fato — e o modelo que historicamente recompensou controle e cumprimento de metas acima do desenvolvimento humano é o principal responsável por isso. No ambiente jurídico, onde sócios e coordenadores acumulam funções técnicas e de gestão simultaneamente, a distinção se torna ainda mais crítica.Ele também criticou a cultura de resultados a qualquer custo. “Bater meta no trimestre com uma equipe desengajada, com alto adoecimento, principalmente em saúde mental, e com risco de comprometer a reputação da organização — isso está vencendo cada vez menos.” Para Lima, liderar é entregar resultado, mas de maneira sustentável — e essa exigência veio para ficar. IA, robôs e o futuro de quem lidera A palestra ganhou uma segunda camada ao abordar o impacto da inteligência artificial e da automação sobre o papel do líder. Para Lima, a tecnologia não é ameaça para quem desenvolve o que as máquinas não conseguem replicar. “A boa notícia é que tudo que é repetitivo e previsível já está sendo substituído. Quem ficar vai ter que liderar, inspirar, engajar, desenvolver e conectar — inclusive robôs e humanoides.”O palestrante trouxe experiências vividas em primeira pessoa para ilustrar a velocidade das mudanças. Relatou ter andado em um carro autônomo em Austin, no Vale do Silício, e sido atendido por um robô da Tesla em uma cafeteria. “Você está preparado para ser liderado por um robô, por um humanoide?”, questionou a plateia. “Eu não sei. Mas não posso temer esse futuro. Tenho que ser parte dele.”Para advogados e gestores jurídicos — cuja profissão já sente os efeitos da automação de contratos, petições e análise de jurisprudência —, a mensagem teve peso adicional. Lima propôs quatro níveis de resposta diante da transformação: inação, reação, pró-ação e criação. “A criação é quando você constrói o seu futuro. Estude, se prepare, vá para cima.” A lição mais difícil: liderar a si mesmo No trecho mais pessoal da palestra, Lima compartilhou sua própria trajetória de colapso e reconstrução. Em 2015, foi levado de ambulância ao hospital com suspeita de infarto — era, na verdade, um burnout emocional severo causado por estresse agudo. Dois anos depois, perdeu o primeiro casamento e o emprego como vice-presidente ao mesmo tempo. “As coisas não são isoladas. Eu não estava bem. A vida me parou no acostamento — e eu voltei para a estrada igual.” A metáfora das bolinhas de malabarismo resumiu o recado: algumas dimensões da vida são de borracha e quicam quando caem; outras, de vidro, quebram. “Você sabe qual é a sua bolinha de vidro? Se não sabe, como vai liderar a si próprio?” Após a crise, Lima se reconstruiu, voltou à terapia, certificou-se coach pela Universidade de Columbia e lançou o best-seller Você em Ação. E encerrou com a pergunta que a esposa, a apresentadora Thaís Luquezzi, da Rede Globo, fez após assistir a uma de suas palestras: “Você pratica tudo que você fala mesmo?” Lima sorriu para a plateia — e não precisou responder. Contexto da Conferência A palestra de Adriano Lima integrou a programação da Arena Preppo, espaço de palestras principais da Conferência da Advocacia Corporativa 2026, organizada pela Comissão da Advocacia Corporativa da OAB/PR. O evento, que se consolida como um dos principais do calendário do direito empresarial da seccional paranaense, trouxe nesta edição uma novidade de formato: painéis simultâneos distribuídos em espaços temáticos — Arena Preppo, Legal Brainstorming, Legal Challenges e Legal Innovation —, ampliando a persidade de conteúdo e a interação com os participantes.Ao lado de Lima, a Arena Preppo recebeu nomes como o economista Adeildo Nascimento, que abriu o evento com a mastertalk sobre inteligência humana natural no mundo corporativo; Alexandre Mariath, presidente da Comissão, que falou sobre o encantamento no mercado jurídico. O tema da equidade de gênero marcou o especial talk “Saias no Jurídico: Conquistas e desafios das mulheres advogadas”, com Claudia Trancozo, Juliana Marques Kakimoto e Aline Cordeiro Andriolli, mediado por Caroline Farias. Legal Brainstorming O espaço de construção coletiva debateu questões práticas do mercado. No primeiro dia, Flávio Franco e Fábio Salomon discutiram como se destacar profissionalmente no mercado corporativo, com facilitação de Patricia Dittrich. Na sequência, Luciana Kurtz e Maick Dias abordaram o que importa na gestão de escritórios parceiros, com facilitação de Vanessa Piacentini. No segundo dia, Yuri Müller Ledra e Paulo Roberto Ayub debateram se o departamento jurídico é centro de custo ou gerador de valor, com facilitação de Bárbara Teruel. Fernando Gonçalves e Carlos Joaquim de Oliveira Franco exploraram as dúvidas, riscos e desafios do jurídico em processos de M&A, com facilitação de Caetano Kraemer. Legal Challenges Os painéis técnicos abriram com o debate sobre o Projeto do Novo Código Civil e seus impactos práticos para as empresas, com Rodrigo Xavier Leonardo e Marilena Winter, mediados por Daniel Montanha. O Marco Legal dos Seguros e seus reflexos em contratos e sinistros corporativos foi tema da participação de Luiz Assi e Paulo Cezar Possiede, mediados por Fabiana Meira Maia. No segundo dia, Romara Borges e Carlos Eduardo Quadros Domingos discutiram a recuperação judicial como estratégia empresarial, com mediação de Paulo Pereira. O encerramento ficou com o debate sobre arbitragem e litígios societários no ambiente corporativo, conduzido por Cristina Leitão e Paulo Nalin, com mediação de André Stinglin. Legal Innovation Os workshops práticos reuniram especialistas em inovação e gestão jurídica. Elaine Pedroso conduziu o workshop sobre multiplicação do tempo com automação, delegação e gestão. Jullianna Tesser Maciel e Gisele Ueno apresentaram técnicas de Visual Law e Legal Design para comunicação jurídica eficiente. No segundo dia, Emidio Trancoso Neto e Leonardo Donoso ministraram o workshop sobre prompts jurídicos de IA para fazer mais com menos. A programação foi encerrada com Fabiano Marchiorato e Rafael Lins, que abordaram os primeiros passos para implantação de Legal OPS.
21/05/2026 (00:00)
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