Governo do Brasil anuncia medidas para melhorar condições de trabalho em plataformas digitais
Ações incluem transparência nos valores das corridas, criação de pontos de apoio e comitê interministerial.Após diálogo com trabalhadores por meio do GTT - Grupo Técnico de Trabalho Interministerial dos Entregadores por Aplicativos, o Governo do Brasil anunciou nesta terça-feira (24) um conjunto de medidas para melhorar o dia a dia de entregadores e motoristas por aplicativo. Uma das principais mudanças anunciadas obriga as plataformas informem ao consumidor qual parte do valor fica com o aplicativo e qual parte é destinada ao trabalhador. Outras medidas propõem a instalação de pontos de apoio para descanso e institui o Comitê Interministerial de Monitoramento e Implementação das Ações para Trabalhadores por Aplicativos, que será coordenado pela Secretaria-Geral da Presidência da República em parceria com o MTE - Ministério do Trabalho e Emprego , estabelecendo um espaço permanente de diálogo com a categoria.A portaria entra em vigor em 30 dias - período para que as empresas se adequem à norma.Essa medida de transparência é fundamental para garantir uma relação de consumo mais justa e informada, permitindo que o consumidor e o trabalhador compreendam a estrutura de custos por trás de cada corrida ou entrega.Para o ministro do Trabalho e Emprego, que vem dialogando com a categoria desde o início do governo sobre a regulamentação do trabalho por aplicativos, destaca-se a medida do Ministério da Justiça que exige transparência na composição dos preços. "É um início de enquadramento das plataformas, dando transparência para garantir direitos aos trabalhadores", afirmou durante a coletiva de apresentação do Relatório do GTT.O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, destacou a importância das medidas "para que os trabalhadores de aplicativos tenham o mínimo de tratamento digno". Ele afirmou que os pontos de apoio serão instalados nas cidades com maior concentração de entregadores e motoristas e ressaltou que as ações não dependem de mudança legislativa e entram em vigor de imediato, com prazo de 30 dias para adequação das plataformas.PONTOS DE APOIO - Outra medida é a instalação de pontos de apoio equipados com banheiro, água, vestiário, área para alimentação, descanso e conectividade para os profissionais.Isso será feito via Acordo de Cooperação entre a Secretaria-Geral da Presidência da República e a Fundação Banco do Brasil para a instalação, inicialmente, de até 100 pontos de apoio.Esses pontos de apoio serão instalados nas cidades com maior concentração de entregadores e motoristas por aplicativo.Também fica instituído o Comitê Interministerial de Monitoramento e Implementação das Ações para Trabalhadores por Aplicativos, coordenado pela Secretaria-Geral em parceria com o Ministério do Trabalho e Emprego.A ideia é estabelecer um espaço permanente de diálogo com a categoria, propor, integrar e monitorar ações, políticas e programas voltados aos trabalhadores por aplicativos.Também fazem parte do comitê o Ministério da Previdência Social, o Ministério da Saúde e o Ministério da Justiça e Segurança Pública.PREVENÇÃO A ACIDENTES - O relatório também prevê a inclusão do item "Trabalhador de plataforma digital" nas fichas de notificação do Sinan -Sistema de Informação de Agravos de Notificação. Com isso, será aprimorada a captura de dados de acidentes e agravos dessa categoria para subsidiar ações de prevenção.A melhora do bem-estar também é contemplada na inclusão dos trabalhadores por aplicativo na Pesquisa Nacional de Saúde, desenvolvida em parceria com o IBGE.Haverá ainda a adoção da campanha "Abril Verde: juntos pela redução de mortes por acidentes e doenças do trabalho no Brasil", com ações específicas para os trabalhadores.REMUNERAÇÃO - O relatório, que será encaminhado ao Congresso, também reitera as propostas já anunciadas para melhorar a remuneração dos entregadores. Entre elas, a que eleva o valor mínimo pago pelas plataformas a cada corrida de R$ 7,50 para R$ 10. Após quatro quilômetros, ainda segundo as propostas, o valor adicional por quilômetro passaria de R$ 1,50 para R$ 2,50.Além disso, o documento sugere o fim das entregas agrupadas, quando são feitas num mesmo trajeto e as empresas cobram do consumidor, mas sem fazer o repasse integral aos entregadores.GTT - Formado em dezembro de 2025, sob coordenação conjunta da Secretaria-Geral da Presidência da República e dos Ministérios do Trabalho e Emprego e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o GTT reuniu esforços de órgãos como o TST - Tribunal Superior do Trabalho e o MPT - Ministério Público do Trabalho para construir soluções que façam diferença no dia a dia dos entregadores.Veja o relatório do GTT - Grupo Técnico de Trabalho Interministerial dos Entregadores por Aplicativos.