Padrões estéticos e relações de poder nas instituições são debatidas em palestra
Compõem a mesa, da esquerda para a direita, as professoras Juliana Teixeira e Juliana Mesquita, o desembargador Wagner Cinelli e a coordenadora do Napjus, Inara Firmino
De acordo com o levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2022, mais de 55% da população brasileira é formada por pretos e pardos. No entanto, essa população não ocupa equitativamente os espaços públicos, segundo informou a doutora em administração Juliana Cristina Teixeira. O apontamento foi realizado na palestra “Padrões estéticos e relações de poder: o lugar do corpo negro nas instituições”, realizada nesta quinta-feira, 23 de julho, no Auditório Desembargador Nelson Ribeiro Alves.
Promovida pelo Núcleo de Atenção e Promoção à Justiça Social (Napjus) e pelos Comitês de Promoção da Igualdade de Gênero e de Prevenção e Enfrentamento dos Assédios Moral e Sexual e da Discriminação (Cogens), a palestra buscou refletir sobre o racismo na sociedade. “A discriminação e o preconceito existem em nosso país. Nosso papel é trabalhar com a prevenção e o enfrentamento a fim de evitar a perpetuação desse problema”, afirmou o presidente do Cogen 1º Grau, desembargador Wagner Cinelli.
De acordo com a palestrante Juliana Teixeira, o lugar que pessoas negras ocupam nas instituições é um reflexo da construção social que o Brasil passou.
“Quase 70% dos cargos gerenciais são ocupados por brancos. A renda deles é quase três vezes maior do que não-brancos. Em contrapartida, a maioria da população periférica é negra. Os números revelam que o racismo organiza as relações sociais nas instituições”.
Em um sistema marcado pela cor da pele, a estética se torna uma ferramenta para a criação de padrões, pontuou a professora e mestra em administração Juliana Schneider Mesquita. “A estética é muito mais do que beleza. Ela é construída ao longo da história e nos ensina a ler corpos ao nosso redor. O corpo não é neutro. Ele é visto em suas diferenças e carrega significados - o que é refletido nas relações de poder”.
A palestra foi finalizada após a coordenadora do Núcleo de Atenção e Apoio à Justiça Social (Napjus), Inara Firmino, fazer considerações e explicar do que se trata o “Julho das Pretas”, campanha destinada a promover palestras e oficinas com a temática racial e de gênero.
KB/IA
Foto: Brunno Dantas/TJRJ