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Painel aponta tecnologia e violência de gênero como desafios da advocacia contemporânea

O painel “IA, tecnologia e violência de gênero: os novos desafios para a advocacia” abriu a programação vespertina da IV Conferência Estadual das Mulheres Advogadas (CEMA) nesta sexta-feira (18/9). Participaram dos debates as advogadas Larissa Matos, autora do livro Misoginia Digital, e Dione Almeida, presidente da Comissão Nacional da Mulher Advogada do Conselho Federal da OAB. A mediação ficou a cargo da jornalista Thays Beleze. Dione Almeida lançou uma pergunta à plateia: “estão preparadas para advogar com os desafios de hoje?” Para ela, há desafios que vêm do mundo analógico. “Já tínhamos dificuldade para salvaguardar direitos e nos proteger antes. Mas com a tecnologia, o desafio é ampliado e os efeitos de ataques mais graves”, apontou, citando como exemplo a disseminação de áudios e imagens falsas. “As mulheres que advogam para mulheres são revitimizadas”, frisou. A perspectiva de gênero pautou a pesquisa de Larissa Matos sobre tecnologia desde o início. Reforçando a ideia apresentada por Dione, ela apontou que a violência do meio digital é replicação do meio analógico. “Mas não somente. No meio digital essa violência é amplificada”. Larissa aconselhou o público a evitar a participação em trends (tendências) que captam imagens e outros dados sensíveis. “Precisamos entender como funciona o meio digital para nos resguardar, pois o sistema de algoritmos perpetua ódios”. Dione Almeida Larissa Matos Letramento A pedido da mediadora, as palestrantes orientaram as advogadas a evitar comportamentos específicos, como a exposição de imagens com a carteira da OAB. “Certa vez alertei uma colega advogada e ela respondeu: ´mas já tem tanta curtida´ [a postagem]. Ocorre que cada compartilhamento, curtida ou comentário dá ao algoritmo algo sobre nosso perfil. Em si não tem mal, mas e quanto às empresas que querem empurrar produtos ou pessoas que aplicam golpes?”, provocou Larissa. Dione propôs dar um passo atrás para evitar alimentar a vaidade com curtidas nas redes. “Defendo o direito de sermos quem somos, mas cada vez que caímos na besteira de fazer uma dancinha nesse mundo do racismo e do machismo estruturado a gente só perde”. Para ela, a maioria das pessoas ignora o grau de vulnerabilidade a que estão expostas nas redes. “Os dados não são neutros porque as pessoas não são neutras”, pontuou. Larissa tratou também de violências sistematizadas como o doxxing (exposição pública de dados privados ou de identificação pessoal de alguém na internet sem consentimento, o que leva a vítima a ser exposta no mundo físico, em sua própria casa) e o trolling (postagem de comentários ofensivos, polêmicos ou fora de contexto em redes sociais ou fóruns). Ambiente corporativo A questão do assédio, que ganha força nos meios digitais por ir muito além do ambiente e dos horários de trabalho, foi também levantada por Dione. “Sempre tem aquela liderança tóxica que no domingo à noite nos envia uma mensagem lembrando que ´segunda é dia de dar o sangue´”, citou. Ainda sobre o ambiente de trabalho, Larissa lembrou do assédio eleitoral, alimentado pelas manifestações nas redes sociais. “E quando isso acaba em demissão, as mulheres são as primeiras”. Dione reforçou: “Nas eleições e nomeações, em contraponto, somos as últimas a serem lembradas. Por isso, queridas, não pulem na frente da bala por um vereador ou político”.
18/09/2026 (00:00)
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