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“Lugar de advogada é onde ela decide”: IV Conferência das Mulheres Advogadas divulga carta de encerramento

A IV Conferência Estadual das Mulheres Advogadas foi encerrada nesta sexta-feira (18/9), na sede da OAB Paraná, em Curitiba, após dois dias de debates sobre tecnologia, violência de gênero e ocupação de espaços de poder pela advocacia feita por mulheres. O evento se despediu com a leitura da Carta da Mulher Advogada do Futuro e cerimônia de encerramento, seguida de apresentação de stand-up com a atriz e comediante Giovana Fagundes e atração musical do grupo de samba Brejeiras.Confira a íntegra: CARTA DE ENCERRAMENTO DA IV CONFERÊNCIA DAS MULHERES ADVOGADAS DA ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL – SEÇÃO PARANÁ Reunidas em Curitiba, mulheres advogadas de todas as regiões do Paraná encerram a IV Conferência Estadual das Mulheres Advogadas da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Paraná, depois de dois dias de escuta, reflexão, conhecimento, encontro e coragem. Sob o tema “Da cadeira à liderança: lugar de advogada é onde se decide”, esta Conferência não foi apenas um encontro. Foi um chamado. Chamado para olhar a história, reconhecer quem abriu caminhos, enxergar quem ainda encontra portas fechadas e compreender que a presença das mulheres na advocacia e na vida pública não pode mais ser medida pelo número de cadeiras ocupadas. Porque estar presente não basta. É preciso participar das decisões. É preciso formular as perguntas. É preciso escrever as regras. É preciso decidir os caminhos. E não há democracia plena onde as mulheres estão ausentes dos espaços em que o poder é exercido. Durante estes dois dias, as participantes falaram sobre mulheres negras e o direito de ocupar espaços de poder; sobre acolhimento e recomeço; sobre as estruturas de machismo que ainda atravessam o Direito; sobre violência contra as mulheres e os caminhos de proteção; sobre perspectiva de gênero na Justiça; sobre inteligência artificial, tecnologia e os novos riscos que chegam pela tela; sobre participação política, representatividade e o papel da advocacia na defesa da democracia; sobre liderança, empreendedorismo, autonomia, conexões e futuro. Falaram também sobre o que muitas vezes permanece invisível: o trabalho do cuidado, a maternidade, a solidão, o medo, o cansaço, a violência, a desigualdade, e o preço que tantas mulheres ainda pagam para permanecer em suas profissões. Compreenderam, assim, que não existe liderança feminina verdadeira quando, para chegar à cadeira, uma mulher precisa abandonar partes de si. As mulheres advogadas do Paraná não querem uma advocacia em que tenham de escolher entre competência e humanidade, entre carreira e maternidade, entre autoridade e feminilidade, entre sucesso e saúde, entre ocupar espaços e continuar sendo quem são. Querem poder sem violência. Liderança sem apagamento. Autoridade sem silenciamento. Tecnologia sem discriminação. Justiça sem estereótipos. Democracia com a voz e o voto das mulheres. Instituições em que mulheres não sejam exceção. Nenhuma mulher chega sozinha Esta Conferência também lembrou que nenhuma mulher chega sozinha. Antes de cada advogada houve mulheres que insistiram quando ninguém acreditava. Mulheres que estudaram quando não lhes diziam que aquele lugar também era delas. Mulheres que advogaram quando eram confundidas com acompanhantes. Mulheres negras que enfrentaram barreiras que outras sequer enxergavam. Mulheres chamadas de difíceis quando apenas ocupavam o espaço que lhes pertencia. Mulheres que abriram portas sem saber quantas outras passariam por elas depois. As advogadas de hoje são continuidade dessas mulheres, e têm responsabilidade com as que virão. Compromissos Por isso, ao encerrarem esta IV Conferência Estadual das Mulheres Advogadas, as mulheres advogadas do Paraná afirmam: 1) Não aceitarão que a igualdade seja apenas discurso. Querem igualdade que se perceba na composição dos espaços de decisão, nas oportunidades profissionais, na remuneração, no reconhecimento, na participação institucional e no respeito às prerrogativas. 2) Não aceitarão que a violência contra a mulher seja tratada como assunto privado. Ela atravessa famílias, escritórios, instituições, relações profissionais e espaços de poder, e a advocacia tem responsabilidade na proteção de direitos, no acolhimento e na transformação dessa realidade. 3) Não aceitarão uma tecnologia que reproduza as desigualdades que a sociedade ainda não superou. A inteligência artificial e as novas tecnologias devem ampliar direitos, oportunidades e autonomia, jamais reproduzir misoginia, discriminação ou violência.4) Não aceitarão uma Justiça que não enxergue as mulheres em sua realidade concreta. Defendem uma advocacia preparada para compreender gênero, raça, classe, idade, maternidade, deficiência, orientação sexual e as diferentes circunstâncias que atravessam a vida das mulheres. 5) Não aceitarão que o cuidado continue sendo um obstáculo silencioso à carreira. Cuidar não pode significar desaparecer profissionalmente. A maternidade não pode ser uma penalidade. A vida não pode ser incompatível com a liderança. E nenhuma mulher deve precisar pedir desculpas por existir para além da profissão. 6) Não aceitarão uma democracia em que as mulheres sejam minoria nos espaços de representação e decisão. A participação política, nas instituições, nas entidades de classe e nos poderes da República, é condição necessária da democracia, e a advocacia, essencial à administração da Justiça, tem o dever de estimular, apoiar e ocupar esses espaços, de votar, de candidatar-se, de fiscalizar e de defender o Estado Democrático de Direito. O compromisso da OAB Paraná Esta Carta não termina com uma conclusão. Ela começa com compromissos. A OAB Paraná, por meio da Comissão das Mulheres Advogadas, reafirma o compromisso de fortalecer o acolhimento, ampliar o letramento de gênero, valorizar o exercício profissional das advogadas, promover formação, construir redes, estimular a liderança feminina, incentivar a participação política e democrática das mulheres e ocupar os espaços institucionais onde as decisões são tomadas. Reafirma o compromisso de ouvir as diferentes mulheres que compõem a advocacia paranaense. De aproximar gerações. De abrir caminhos. De reconhecer diferenças. De enfrentar violências. De transformar estruturas. E, sobretudo, de construir uma advocacia em que nenhuma mulher precise ser a primeira para provar que outras podem chegar. A cadeira conquistada não será o ponto final. Será ponto de partida. Porque o futuro da mulher advogada não é apenas encontrar uma cadeira à sua espera. É escolher onde quer sentar. É ter voz na mesa. É participar da decisão. É ocupar a liderança. É criar novas cadeiras. É transformar a própria mesa. E, quando necessário, é construir uma nova mesa. Que as mulheres que vierem depois encontrem menos portas fechadas e mais mãos estendidas. Mais redes. Mais oportunidades. Mais respeito. Mais liberdade. E que nunca precisem perguntar se aquele lugar também é delas. Porque será. Esta é a responsabilidade das mulheres advogadas do Paraná. Este é o seu compromisso. Esta é a sua travessia. E esta é a sua certeza: lugar de advogada é onde ela decide. Curitiba, 18 de setembro de 2026. IV Conferência Estadual das Mulheres Advogadas Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Paraná Comissão das Mulheres Advogadas
18/09/2026 (00:00)
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