"Papo de Museu" passeia pela história do bairro de São Cristóvão e do Colégio Pedro II
Paulo Vinícius Aprígio apresentou as transformações vivenciadas no bairro de São Cristóvão e no Colégio Pedro II ao longo dos anos
A criação do Colégio Pedro II, em 1739, nos leva a um passeio pela história do Rio de Janeiro e do Brasil. Naquele ano, o 4° Bispo da cidade, Dom Antônio de Guadalupe, fundou o Colégio dos Órfãos de São Pedro, no Centro da cidade. Mais tarde, em 1837, a instituição passaria a se chamar Imperial Collegio de Pedro Segundo, se consolidando como uma das mais importantes organizações educacionais do país.
Algumas décadas depois de sua criação, o Colégio ganhou uma nova sede no tradicional bairro de São Cristóvão, e as transformações que aconteceram tanto na região como nas instalações do Pedro II no Século XIX foram debatidas no "Papo de Museu" desta quinta-feira, 23 de julho.
Na Sala Multiuso do Edifício Desembargador Caetano Pinto de Miranda Montenegro, o doutor em Histórias da Ciência e professor do Colégio Pedro II, Paulo Vinícius Aprígio da Silva, apresentou ao público o trabalho desenvolvido em sua pesquisa "Filho sem pais: as incógnitas acerca da construção do Complexo Escolar do Colégio Pedro II em São Cristóvão". Além de citar as relações que criou com o bairro durante sua infância, Paulo Vinícius citou as transformações urbanas vivenciadas na região desde a instalação da Família Real Portuguesa até a popularização de São Cristóvão a partir da Proclamação da República.
Um dos episódios abordados na pesquisa aconteceu durante as comemorações do centenário do Colégio Pedro II, ocasião em que o então ministro da Saúde e Educação, Gustavo Capanema, desejava transferir a instituição para o bairro da Urca, onde estava localizado o Hospital Nacional de Alienados.
"Embora a pedra fundamental tenha sido lançada em 1937, a obra não avançou. Em 1939, Capanema apresentou Oscar Niemeyer como novo arquiteto para o projeto, mas três fatores inviabilizaram a transferência: a crise orçamentária devido à Segunda Guerra Mundial, a oposição do serviço do patrimônio histórico e a resistência da opinião pública, que preferia manter o Colégio no Centro ou na Zona Norte".
O fim do Estado Novo, em 1945, encerrou os planos de levar o Pedro II para a Zona Sul do Rio de Janeiro. Com a permanência em São Cristóvão, foi firmado um plano de expansão da unidade, que se tornou um complexo educacional, e será o objeto da segunda parte da pesquisa de Paulo Vinícius.
PB/ MG
Fotos: Rafael Oliveira/TJRJ